CONTROLE DOS IMPACTOS DA DRENAGEM URBANA
Nas últimas semanas temos abordado o controle do impacto quantitativo devido a drenagem urbana nas cidades. No entanto existem outros impactos que somente foram abordados depois que o impacto mais visível devido a quantidade da água começou a ser controlado e a poluição dos rios, áreas degradadas e rebaixamento dos aqüíferos tornaram-se bastante visíveis e foram avaliados. Na tabela abaixo é apresentada uma síntese dos impactos suas causas e as medidas potenciais.
Recarga
O volume de recarga por unidade de área (m3/ha) pode estimado como
Vra = 10.R.(I/100)
Onde: R (mm) é a recarga do aquífero e I (%) é a área impermeável no caso de novos desenvolvimentos e o aumento da área impermeável para locais que estejam sendo novamente ocupados. O valor de R pode ser definido em função da recarga natural na região com base no tipo de solo (SCS).
O volume também pode ser estabelecido como uma porcentagem do volume total de uma chuva de projeto. No estado de Wisconsin adota 10 a 25% do volume da chuva de 2 anos de tempo de retorno e 24 horas de duração deve ser infiltrada, dependendo do tipo e uso (% de áreas impermeáveis) do solo. Para alcançar a meta de recarga podem ser utilizadas medidas de controle como trincheiras de infiltração, valos gramados, pavimentos permeáveis e também de técnicas de planejamento do local .
Qualidade da água
A prática americana através da EPA identificou que tratando uma parcela dos sólidos suspensos totais (SST) do escoamento pluvial o objetivo de reduzir a carga anual do escoamento em 80% é atingido. As metodologias usadas são :
(a) USEPA: A regulação adotada pela EPA estabelece que tratando o escoamento pluvial correspondente à chuva de 2 anos de tempo de retorno e duração de 24 horas a meta de redução dos poluentes é atingida;
(b) “Regra dos 90%”: Admite que capturando e retendo e escoando por 24 horas o volume de chuva correspondente a duração de 90% dos eventos de chuva do local a sedimentação retira grande parte dos poluentes.
O volume necessário , Vqa (m³/ha), pode ser estimado com base no seguinte:
Vqa = 10.P.C
Onde: P é a precipitação em mm/dia; C é o coeficiente de escoamento que pode ser estimado por C = 0,05 + 0,9 Ai, sendo Ai a parcela da bacia com áreas impermeáveis (valor entre 0 e 1).
Erosão
A prática usada é de armazenar e liberar gradualmente o volume gerado pelo evento de 1 ano e 24h, em um período de 24 horas ou mais, para que sejam controladas as velocidades erosivas no canal durante a passagem da cheia. Embora esta alternativa possa ser efetiva na proteção do canal, do ponto de vista operacional existem sérias limitações na aplicação da regulação. Para locais com área impermeável menor que 2 ha, por exemplo, o tamanho dos orifícios da tomada de água necessários para cumprir a regulação tornam-se muito pequenos, e ficam sujeitos ao entupimento. Para contornar esse problema esta regulação de proteção do canal não é exigida nos seguintes casos: (a) o volume total relacionado a proteção do canal é recarregado para o aquífero; (b) Locais com área menor ou igual 2 ha de área impermeável; (c) locais que descarregam em rios de quarta ordem, lagos, estuários e que tenham área menor que 5% da área da bacia a montante do desenvolvimento.


