Arquivo de Novembro de 2007

Risco e variabilidade climática I

O noticiário sobre mudança climática tem sido bastante persuasivo quanto aos riscos que podemos estar correndo em função da potencial mudança climática devido ao efeito estufa. No entanto, existem muitos questionamentos sobre o assunto e as ferramentas usadas para o prognóstico deste efeito apresentam grandes incertezas (maiores que a própria variação do clima).
O que se observa em muitos lugares no mundo é o aumento da temperatura que pode ser devido ao efeito antrópico da emissão dos gases (veja o glossário do site), devido a variabilidade natural ou da comibação dos dois (mais provável). Em março deste ano a BB2 apresentou um filme chamado “The great global warming swindle” (A grande trapaça do aquecimento global”) contextando a visão (http://www.channel4.com/science/microsites/G/great_global_warming_swindle/index.html, somente em inglês) aparentemente unâmime sobre o assunto. Passei para os alunos do programa de pós-graduação do IPH o filme do Gore e o mencionado, para debate.
É interessante analisar os prós e contras do assunto, pois os meios de comunicação tem a tendência de atribuir a variação maior do clima às mudanças climáticas.
Os argumentos a favor das ações de redução dos gases são de que nao temos certeza, mas não poderemos esperar acontecer para atuar sobre a redução de emissão, o que me parece bastante correto. O que não é correto é deixar a população crente que o desastre é eminente.
Os cenários de mudança climáticas são tendências estimadas para o final do século, que devido as limitações dos modelos, podem variar muito. Alguns profissinais questionam quanto a previsão de longo prazo ( ~10-20 anos no futuro) onde necessitamos de um planejamento da sociedade e pode ser visto com mais prioridade. Os cientistas climáticos geralmente mencionam que este tipo de prognóstico é mais complexo, o que exigiria mais pesquisa quanto a variabilidade climática (inclui as tendências naturais do clima).
O conhecido economista Lomborg que escreveu “Sceptical Environmentalist” apresentou uma palestra discutindo as prioridades da sociede para os próximos anos (assista no endereço www.ted.com/index.php/talks/view/id/62).
Voltaremos a este assunto em outras semanas para discutir como estes aspectos afetam as séries hidrológicas e no final o risco sobre os usos dos recursos hídricos.

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Exposição sobre água

No último dia de 3 de novembro foi inaugurada a exposição sobre ÁGUA em Nova York no Museu Americano de História Natural e vai até dia 26 de maio de 2008. No site http://www.amnh.org/exhibitions/water/ é possível ler o material da exposição e obter mais dados sobre o assunto. O conteúdo é voltado para todo tipo de público, sendo que cerca de 60% do público do Museu são de colégios.
O Instituto Sangari de São Paulo é parceiro na exposição na qual participei como colaborador. Este Instituto deverá trazer para o Brasil esta exposição, que será no Ibirapuera em São Paulo, provavelmente em 2008.
Os interessados em Água poderão ter uma boa idéia da visão básica da água, recomende este material para seus amigos e colegas.

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Curso de Águas Pluviais

Nesta página foi anunciado o curso de Gestão de Águas Pluviais Urbanas que ocorrerá em uma edição privada para o governo Uruguaio e Banco Mundial em Montevideo nos dias 19 e 20 deste mês e duas edições públicas em São Paulo nos dias 29 e 30 de novembro e 12 e 13 de dezembro em Porto Alegre. As inscrições até o momento mostram grande receptividade.
O conteúdo foi atualizado com relações as várias edições anteriores apresentados na América Latina ( Caracas, Bogotá, Quito, Lima e S. Pedro de Sula) e várias cidades brasileiras, entre elas: Brasília, Manaus, Rio de Janeiro, S. J. do Rio Preto e Joinville.
Os interessados podem avaliar uma amostra do conteúdo através da palestra apresentada em S. Paulo no evento de APPUrbana 2007(power point para donwload no site http://www.rhama.net/palestras_interna.asp?id=5). Esta palestra foi gravada e pode ser acessada em http://www.fau.usp.br/eventos_sn/seminario_apps_urbanas/apps.html (conferência 1). Não está editada, mas ficou boa.
Este curso está voltado para decisores e profissionais que atuam nas cidades, sem pré-requisitos. O objetivo é a sustentabilidade urbana e atingir todos que atuam e sobrevivem nas cidades.

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Como preservar os mananciais?

As cenas de morte dos peixes no rio dos Sinos no início do ano aumentam a percepção do risco da contaminação sobre água que usamos, além da lamentável situação dos rios urbanos.
Na década de 70 a legislação dos mananciais foi aprovada em vários Estados brasileiros. Tinha com objetivo preservar os mananciais urbanos impedindo o desenvolvimento, garantindo assim a qualidade da água para as cidades. O resultado mostrou que esta legislação fracassou e, de forma perversa incentivou indiretamente a ocupação sem controle. O impedimento legal do uso do solo não foi suficiente, a maioria dos proprietários adotou uma das seguintes ações: abandono da área e invasão, desenvolvimento ilegal ou invasão encomendada pelo proprietário para negociar com a Prefeitura. O diagnóstico principal é que a perda de valor da propriedade pela proibição produziu o desinteresse ou desobediência do proprietário. Em qualquer uma das opções o esgoto, águas pluviais, áreas degradadas e lixo contaminam o manancial da cidade, da mesma forma que outros poluentes da atividade industrial e da agricultura.
Observa-se a nível mundial uma nova tendência de preservação das bacias hidrográficas por meio de instrumentos econômicos. A cidade de Nova York comprou a bacia hidrográfica que fica distante 100 km da cidade e a transformou num parque ambiental. Verificou que era mais econômico a compra da área e sua preservação do que buscar uma alternativa no futuro. Na Costa Rica, áreas de florestas são preservadas com uma mensalidade ao proprietário para garantir que se mantenha intocada.
No caso brasileiro, a compra da área deveria envolver uma eficiente fiscalização, que o poder público não se mostrou capaz. O aluguel da área permitiria manter a fiscalização do proprietário. É possível estimar que o aluguel da área de manancial representaria um aumento entre 5 e 15% da conta de água. Atualmente a população desconfiada consome água mineral onde um botijão de 20 litros custa R$ 400/m3, uma garrafa de 0,5 litro pode custar R$ 2.000/m3, enquanto o preço da água da torneira custa cerca de R$ 3/m3.
Existem várias implicações nesta idéia que devem ser aprimoradas tais como o contrato de aluguel, tamanho da bacia, disponibilidade hídrica específica de cada local, estrutura de preço e subsídio, indicadores de eficiência das empresas de Saneamento, entre outros. O que não é possível é continuar fazendo de conta que a lei funciona e os mananciais continuam sendo contaminados.

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