Arquivo de Dezembro de 2007

Crise da água: mito ou realidade ?

A crise da água tem sido destacada como uma ameaça a segurança das pessoas quanto a disponibilidade de água e devido a desastres naturais. Recentemente este tema tem sido acrescido da ameaça da mudança climática, como destacou o secretário geral das Nações Unidas para delegados de vários países.
A realidade desta crise possui vários contextos:
(1) Grande parte da população é vulnerável devido a pobreza resultado da sustentabilidade mínima econômica e social que é agravada por variações climáticas naturais ou mudanças antrópicas;
(2) a crescente vulnerabilidade por ocupação de áreas de risco de algumas regiões a desastres naturais como tsunamis, terremotos, furações, enchentes e secas. Estes números tiveram aumentos alarmantes nas últimas décadas devido ao aumento de população vulneráveis em áreas de risco;
(3) a concentração urbana em áreas de baixa capacidade de disponibilidade hídrica e a falta de tratamento de efluentes que produzem a escassez quantitativa e qualitativa da água, com colapso freqüente, aumento de doenças de veiculação hídrica e redução da qualidade de vida da população.
(4)a falta de capacidade institucional de grande parte dos países em desenvolvimento e mesmo desenvolvido (veja o caso Katrina) para lidar com complexas gestões do território urbano e rural. As perdas por desastre natural nos países mais pobres pode representar 14% do PIB.
Em regiões como a Ásia onde o crescimento populacional e econômico é ainda muito alto devido a grande proporção de população rural, nas próximas décadas muitos destes fatores serão agravantes, que somado ao aquecimento e alteração climática podem levar ao agravamento da crise para determinadas regiões. Na África a escassez da água tem sido o grande problema dos últimos anos em vários países, resultado de um cenário de menor precipitação nos últimos 30 anos. Na América Latina a tendência é a estabilização do crescimento da população devido a maior proporção de população urbana, mas os desafios serão gerir a água nas cidades e a minimização das perdas dos desastres naturais.

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Hidrologia do Lago Vitória

O lago Vitória (~68.800 km2 de área e bacia de 193.000 km2) pertence a três países da África: Kenya, Tanzânia e Uganda. Em Uganda fica a saída do Lago e cabeceira do rio Nilo. Existem cerca de 33 milhões de pessoas na vizinhança do Lago que flutua seu nível como mostra a figura abaixo. Cerca de 82% da entrada de água no lago é resultado na Precipitação e o restante da bacia, fazendo com que o lago fique fortemente dependente do balanço vertical - Precipitação - Evaporação. Portanto, um ano seco a redução é dramática da quantidade de água, pois diminui a chuva e aumenta a evaporação e de outro lado num ano úmido ocorre justamente o contrário.
Na década de 60 houve período chuvoso que aumentou o nível do lago, que foi diminuindo com o tempo, à medida que o excedente foi sendo consumido, retornando nos dias atuais a valores próximos do período anterior a década de 60. Este comportamento é complementar ao que ocorreu no rio Paraguai em Ladario no Pantanal, onde a década de 60 foi um período seco, além disso este ano foi de seca no Paraguai e úmido na região do Lago Vitória. Estas conexões globais mostram o quanto pouco conhecemos da variabilidade climática global. No entanto, na recente pesquisa de doutorado de Daniel Allasia (IPH/UFRGS) observou-se uma forte conexão entre os níveis do rio Paraguai em Ladario com a Oscilação do Atlântico Norte que é diferença de pressão entre Portugal e Islândia. Para saber mais procure este assunto no google por NAO North Atlantic Oscillation.
lagovitoria - lagovitoria
Níveis do Lago Vitória

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Cabeceira do rio Nilo

Visitei Uganda na semana passada onde fica o Lago Vitória, nascente do rio Nilo (6400 km do mar). O Lago Vitória encontra-se próximo do Equador, em altitude pouco acima de 1000 m. É o segundo lago do mundo com cerca de 70 mil km2, representando quase toda a sua bacia. No balanço do lago um pouco mais de 80% da água é obtida da diferença entre Precipitação menos evaporação. Até a década 40 o Lago tinha uma saída natural, quando em 1947 iniciou a construção de uma barragem de energia (Owen Dam, atualmente Kiira) que mudou a saída do lago para comportas e turbinas. Esta barragem fica a jusante do local que restringia anteriormente o escoamento (que foi dinamitado) e permitiu a existência do Lago.
Em 1862 John Hanning Speke identificou a queda da nascente do Nilo (logo após a saída natural do Lago) e denominou de “Rippon Falls” nome do presidente da Socidedade Royal de Londres. (foto 2 do Obelisco do lugar e foto 1 a vista do rio). Nos próximos dias vou colocar mais algumas informações adicionais sobre esta região.
IMG 0090 1 - Rio Nilo
foto 1 - Rio Nilo
foto1 - foto1
foto 2 - Obelisco

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CURSOS

Nos dias 19 e 20 de novembro o Curso de Gestao de Aguas Pluviais foi ministrado em, Montevideo com mais e 100 alunos de diferentes municipios, Defesa Civil, entidade de Estado e consultores privados. Os profissionais que atuaram tinham diferentes profissionais com predominancia e engenheiros e arquitetos. O curso foi organizado pela DINASA, entidade que regula a agua no Uruguai com fundos de projeto do Banco Mundial. Nos proximos dias vamos colocar no blog fotos do evento que serao enviadas pela Dinasa, da mesma forma que a avaliacao do curso.
O mesmo curso foi apresentado em São Paulo no Hotel Maksoud (conforme anúncio no site) nos dia 29 e 30 de novembro com 28 alunos de diferentes cidades brasileiras (S. Paulo, Recife, Manaus, S. Caetano, Rio Claro, S. Carlos, etc). Também serão colocadas fotos e avaliação do curso.
Nos dias 12 e 13 de dezembro será realizado este curso em Porto Alegre, onde os interessados podem se inscrever no site. Estamos providenciando um telefone para contato, mas enquanto isto usem o celular 051 81127749 (tratar com Adriana).
O Objetivo destes cursos e mudar a visão de gestão das águas pluviais urbanas, ja que o cenário atual de projeto e gestão tem sido desastroso para a realidade brasileira.
Alunos e pessoas em geral envie seus comentários para este blog, para torna-lo bastante dinâmico.
Estou indo para a Uganda, Africa, na cabeceira no rio Nilo numa missão do Banco Mundial e na volta colocarei aqui algumas informações interessantes.
Abaixo foto de alguns alunos da turma de São Paulo!
29 e 30 1 - 29 e 30 1

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