Arquivo de Ensino

CONCEITOS DOS MODELOS HIDROLÓGICOS

Nesta semana iniciamos uma série de textos sobre os modelos hidrológicos com os conceitos principais destas ferramentas utilizadas em Recursos Hídricos. Esta é uma sequência de seis matérias que serão postadas no blog ao longo do tempo (provavelmente intercalada por outros assuntos), iniciando com esta e no futuro com os seguintes títulos: desenvolvimento histórico, estrutura, incertezas, usos e desafios.

A representação dos processos hidrológicos através de modelos é a forma encontrada pelo hidrólogo para estudar os diferentes componentes do ciclo hidrológico e as interações antrópicas. Existem várias formas desenvolvidas para modelar a realidade como o protótipo amostral de um espaço físico real, a visão teórica qualitativa dos processos e a formulação matemática de como se processam os diferentes fenômenos. O modelo existe apenas na nossa imaginação (segundo Stephen Hawkins), é uma representação idealizada de como observamos e entendemos a natureza.

Existem modelos de comportamento que descrevem os processos; modelos de otimização que otimizam um ou mais sistemas projetados e podem utilizar os modelos de comportamento; os modelos de planejamento englobam os anteriores e outros, na busca de tomada de decisão para o desenvolvimento ou conservação hídrica.

No desenvolvimento e análise dos modelos existem processos entendidos e representados de forma determinística, ou seja explicado de forma empírica ou conceitual sem o uso de tratamento estatístico e modelos estocásticos que tratam os processos de forma estatística no tempo, ou ainda a combinação dos anteriores. Neste último os processos conhecidos são tratados com equações determinísticas e os resíduos são explicados por tratamento probabilístico.

O uso de técnicas estatísticas e determinística está sempre presente no estudo das formulações dos modelos hidrológicos, devido principalmente ao conjunto de incertezas envolvidas nos dados, heterogeneidade espacial e temporal dos processos e da combinação caótica de vários sistemas não-lineares.

As principais variáveis hidrológicas são estocásticas devido à dificuldade de representação e entendimento do determinismo que produzem a sua variação temporal, que depende essencialmente dos condicionantes climáticos. Os modelos estocásticos têm sido muito utilizados em hidrologia para representar inferir sobre as variáveis dos processos ou complementar os modelos determinísticos.

Os modelos determinísticos buscam a representação dos processos identificados pelo pesquisador através de equações com variáveis que representam valores no tempo e espaço dos fenômenos envolvidos e parâmetros que retratam condições específicas do sistema representado.

A existência de um modelo para simular um processo não garante que os resultados obtidos sejam adequados e as incertezas envolvidas geralmente se relacionam com: a capacidade do modelo em representar os processos; os erros de medidas e representação das variáveis de entradas e; a variabilidade dos parâmetros para representar o sistema.

A capacidade que um modelo possui para descrever os processos envolvidos depende das formulações utilizadas e suas limitações. Por exemplo, um modelo de escoamento de rios que não considera os efeitos de jusante sobre o escoamento de montante pode ser utilizado quando estes efeitos são desprezíveis, caso contrário as estimativas obtidas apresentarão grandes incertezas e o modelo não terá utilidade. A dificuldade que geralmente aparece está em diferenciar a fonte dos erros, quando pelo menos uma das três incertezas destacadas acima ocorrem, ou seja, modelo inadequado, dados deficientes e parâmetros pobremente estimados. Este cenário é mais crítico em problemas onde dificilmente existem dados para provar os resultados dos modelos, como na simulação hidrodinâmica de ondas de rompimento de barragem.

A engenharia tem utilizado com parcimônia muitos dos modelos para gerenciamento dos recursos hídricos, mas muitas vezes sem um exame adequado das suas limitações, o que tem produzido incertezas nas decisões e nos projetos de recursos hídricos.

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INSTITUTO DE PESQUISAS HIDRÁULICAS (IPH) – 40 ANOS DE PÓS-GRADUAÇÃO

Neste mês de março o programa de pós-graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do IPH da Universidade Federal do Rio Grande do Sul comemora 40 anos. O IPH comemora em agosto 56 anos.

Os objetivos iniciais do IPH foram de prestação de serviço à comunidade, principalmente na área de hidráulica marítima e fluvial. Na década de 60, quando a reforma da estrutura da Universidade criou dois departamentos dentro do IPH, e neles foram colocados todos os professores que ensinavam e pesquisavam sobre a água na universidade. Esta característica fez do IPH uma instituição interdisciplinar no final da década de 60. O IPH passou a ensinar em disciplinas isoladas nas formações de engenharia civil, elétrica, minas, agronomia, geologia e arquitetura. Da mesma forma, os professores da instituição passaram a possuir formações diversificadas.
O pós-graduação começou com um projeto da UNESCO em março de 1969 que visava inicialmente criar um programa de mestrado e depois de doutorado (em 1989) para atender a América Latina. O projeto com o apoio da UNESCO foi até 1981, quando o governo brasileiro decidiu que não havia necessidade mais deste projeto, pois a instituição tinha sua própria qualificação. Interessante observar que a primeira estrutura do mestrado foi elaborada pelo professor Ven Te Chow de Illinois, que posteriormente foi sendo atualizada até a atual estrutura. Ao longo do tempo o programa manteve uma média de 20% de alunos da América Latina.
Juntamente com o programa de pós-graduação, o curso técnico em Recursos Hídricos, um dos poucos cursos deste tipo no continente, também comemora 40 anos, pois também foi criado dentro do projeto da UNESCO.

Este destaque se deve a importância do IPH na minha vida (fiz o mestrado e atuo como professor por 37 anos), de muitos alunos e professores e da sua representatividade técnica e científica do país. É importante destacar eventos desta natureza num país com tão pouca história de instituições que se consolidaram no tempo. Para quem desejar mais informações sobre os dois cursos entre no site www.iph.ufrgs.br.

WATER WEEK - Tackling Global Water Challenges

No período de 12 a 19 de fevereiro tive a oportunidade de participar do LAC Water Beam Retreat do Banco Mundial, próximo de Washington (12-13) e da Water Week (17-19) do mesmo banco em Washington. Fiz duas apresentações, uma sobre inundação urbana e outra sobre Gestão Integrada de Águas Urbanas em Jacarta, Indonésia.

Foram apresentados vários artigos interessantes. Para os interessados, o material das apresentações pode ser obtido em

http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/TOPICS/EXTWAT/0,,contentMDK:
21966422~menuPK:5207704~pagePK:148956~piPK:216618~theSitePK:4602123,00.html

O catálogo das publicações do Banco Mundial na área de Recursos Hídricos pode ser encontrado em:

http://siteresources.worldbank.org/INTWAT/Resources/waterpubcat_feb2009rev.pdf

e as publicações copiadas em

http://www.worldbank.org/water

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