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ORIGENS DA ÁGUA

Você sabe de onde vem a água? Sabemos hoje que a origem da vida ocorreu na água. Nas pesquisas relacionadas com o Universo e a vida em outros planetas, primeiro busca-se verificar se existe ou existiu água.

Esta semana passada, na sexta-feira a NASA fez uma experiência, onde dois módulos espaciais colidiram contra uma cratera permanentemente escura com o objetivo de encontrar gelo. Estudos anteriores indicam alguma evidência de que pode ter existido água na Lua. Este experimento busca comprovar isto, mas os dados necessitam ser avaliados para que seja possível provar ou não a sua existência na lua. A análise dos dados poderá durar vários dias ou várias semanas.

Existem várias hipóteses relacionadas com a origem da água na Terra, mas nenhuma certeza. Aliás, já se falou que o Planeta deveria se chamar Água, já que mais de 70% da sua superfície é de água. A Terra tem cerca de 4,6 bilhões de anos, apenas 1/3 da idade do nosso universo e possui uma expectativa de vida de mais 7,5 bilhões de anos antes do colapso do sol.

A água existe há cerca de 4 bilhões na Terra. Várias hipóteses têm sido apresentadas para sua origens, as principais são:

•Como origem na própria Terra e resultado do seu desenvolvimento ao longo do tempo : (a) Esfriamento da Terra onde os componentes voláteis mantidos na atmosfera se convertam em líquido; (b) Transformada de forma bioquímica pela mineralização e fotossíntese ; (c) água armazenada nos minerais das rochas da água.

•Com origem no espaço devido a meteoritos ou cometas que colidiram com a Terra e transportaram água. Físicos descobriram que os cometas possuem características específicas de água que relacionam deuterium e hidrogênio (d/h). Recentemente foram identificados que cometas tinham água como a mesma composição encontrada no oceano da Terra, o que parece ser um forte argumento da origem da água.

Algumas leituras adicionais podem ser obtidas em:

http://en.wikipedia.org/wiki/Origin_of_water_on_Earth#Role_of_organisms
http://en.wikibooks.org/wiki/Introduction_to_Oceanography/Water_-_origin_and_properties
http://waterindustry.org/Water-Facts/water-1.htm
http://www.brasilescola.com/geografia/origem-agua.htm
http://www.guia.heu.nom.br/origem_da_agua_na_terra.htm

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CRISE DA ÁGUA E DESAFIOS REAIS

A revista Economist em matéria de Abril passado retoma um tema que tem sido destacado inclusive pelo secretário geral das Nações Unidas, que é a falta de água e suas implicações futuras relacionada com o desenvolvimento social e econômico.
A água tem sido vista principalmente dentro de uma perspectiva local e quanto muito, regional, quanto a disponibilidade e uso. Não se pode imaginar o transporte e comercialização global da água devido principalmente as restrições de custo e as alternativas tecnológicas como a dessalinização. Isto implica que quando falta água (como ocorreu neste outono no Sul do Brasil e existem excessos como no Nordeste, não é possível transferir este recurso de um lugar para outro com estas distâncias a um custo aceitável.
Os condicionantes de risco sempre foram dentro de uma perspectiva local e regional. No caso regional, pode-se ainda buscar transferir água entre bacias como o do projeto do São Francisco e o do rio Piracicaba que abastece São Paulo. No entanto, são em casos limitados. Sendo assim, cada realidade tem seus riscos específicos em função dos seus condicionantes naturais (disponibilidade) e os de uso ou demanda relacionada com: abastecimento de população, indústria, animais, agricultura, energia, navegação, recreação, a diluição de efluentes e manutenção do ambiente. Em locais de grande demanda agropecuária, o maior consumidor de água a escassez pode ser de demanda, nas grandes cidades a poluição dos efluentes reduz a disponibilidade, mas todos apresentam condicionantes locais de risco de escassez.
O recente relatório das Nações Unidas denominado World Water Assessment, alerta para o aumento da falta de água a nível local e regional e, mesmo mundial, em função não somente das condições de variabilidade e mudança climática, mas do aumento de demanda em função do aumento populacional, já que o globo saiu de 3 para 6 bilhões atualmente e, em apenas 50 anos deve chegar a mais 3 bilhões de pessoas. O consumo de água triplicou nos últimos 50 anos.
Esta questão passa de local para mundial quando incorporamos a demanda dos produtos agropecuários e industriais embutido nos produtos, denominado de “água virtual”. Portanto, a água pode ser transferida no comércio global na forma de insumo da produção industrial e agropecuária. Como a agropecuária é o maior usuário de água mundial, com 70% e consume água na medida em que produz alimentos. Este consumo se dá pela evaporação da água utilizada na sua irrigação e mesmo no seu crescimento.
Existem as seguintes tendências neste processo, o aumento da demanda de água em função da população, que demanda água para seu consumo e pelo seu uso na produção de alimentos. Também se deve considerar o aumento da demanda pela mudança de dieta da população que economicamente está mudando de patamar de renda e consumindo produtos que utilizam mais água.
Dependendo do tipo de clima, variedades e práticas agrícolas o consumo de água varia na produção, da mesma forma que na pecuária, onde varia em função do clima, insumo e práticas. Assim, 1 kg de carne pode usar de 1.000 a 20.000 litros de água.
De acordo com a dieta diária, uma pessoa pode utilizar de 2000 a 5000 litros de água (Estima-se que 1 litro corresponda a 1 Kcaloria). Considerando um demanda média de 2.800 litros por pessoa para dieta e mais 200 litros para uso diário nas residências, resulta num total de 3,000 l/dia/pessoa. O acréscimo de mais de 3 bilhões de pessoas até 2050 na população mundial aumentará a demanda em 104.000 m3/s que corresponde a cerca de 60 -70% da vazão média do rio Amazonas. Ainda assim, deve-se considerar que países como China e India que estão prosperando em termos sociais e econômicos, deverão aumentar a quantidade de água per capita devido ao aumento de proteína na sua dieta.
Nesta perspectiva a água passará a ser uma importante commodity no mercado mundial de produtos, embutida na produção de alimentos e produtos industrializados. Isto fará com que os países com terra, água e capacidade produtiva tenham valorização do seu mercado. A produção deve ser local, mas o mercado é global.
No entanto, a gestão ainda não deu o valor devido a este produto dentro da cadeia produtiva. Este é o grande desafio a ser buscado, visando dar mais eficiência, sustentabilidade e retorno econômico.

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ÁGUA VIRTURAL

Um conceito recente apresentado pelo prof. John Anthony Allan do King’s College de Londres, muda a forma como contabilizamos o consumo humano da água. A forma usual de contabilizar o consumo é o uso direto da água que é distribuído nas residências e utilizado para beber, limpeza e higiene pessoal, entre outros. Este consumo direto pode variar de 150 a 700 L/dia/pessoa dependendo de vários fatores. No Brasil este consumo varia de 200 a 300/L/dia/pessoa e nos Estados Unidos chega aos 700 L/dia/pessoa
A água denominada de virtual é aquela que foi utilizada na elaboração dos produtos que utilizamos nas atividades da nossa vida. Ao consumir uma xícara de café estamos usando 140 litros de água para plantar, produzir, empacotar e despachar o café, além da quantidade usada na mistura da sua produção final. Da mesma forma, quando utilizamos o carro e consumimos álcool ou gasolina estamos consumindo água virtual que foi utilizada na produção dos combustíveis e do próprio automóvel. Esta forma de contabilizar a água indica que a água virtual nada mais é do que o consumo indireto que fazemos deste recurso.
De acordo com a nossa dieta, podemos influenciar o consumo de água virtual. Por exemplo, uma pessoa com uma dieta de sobrevivência utiliza 1000 L/dia, com dieta vegetariana consome 2630 L/dia e uma dieta baseada em carne pode chegar a 5000 L/dia. Isto não significa que todos devemos passar a ser vegetariano, mas é importante o balanço destes valores.
O consumo global médio considerando a água virtual é estimado em 3400 L/dia/pessoa, com grande variação entre países. Um dos países de grande consumo é o EUA com o dobro da média mundial de 6800 L/dia/pessoa. O Brasil tem um valor próximo da média 3370 L/dia/pessoa. Estes valores evidentemente são estimativas, que podem variar muito em função dos critérios utilizados, no entanto permitem uma avaliação global destes valores.
Na estimativa destes valores são utilizados três tipos de água (conceitual) “verde”, “azul”e “cinza”. A verde é a água originada na chuva captada que evapora no processo. A azul é a água extraída dos rios e dos aqüíferos, enquanto que a cinza é a água poluída (reutilizada ou não).
A água tem sido vista como um importante recurso natural, mas sempre como uso local/regional, devido aos custos evidentes de transporte. Sabe-se que é impossível de exportar a água devido ao alto custo de transporte. No entanto, com esta concepção da água virtual, podemos observar que alguns países estão exportando água embutida nos produtos de exportação e outros importando, gerando um balanço de água virtual entre os países. Como o maior consumo de água ocorre na produção agrícola, é de se esperar que os países grandes importadores de “commodities” agrícolas sejam os maiores importadores de água e os grandes produtores, os exportadores. O Brasil é o sétimo maior exportador de água virtual com 186 milhões de m3/dia. Utilizando a mesma medida do barril de petróleo seriam 1,16 bilhões de barris por dia. Na unidade dos hidrólogos seria 2.152 m3/s, que representa a vazão média de uma bacia da ordem de 100 mil km2, na região Sul e Sudeste do Brasil.
Este é um tema importante a ser explorado no contexto econômico brasileiro, na media que o usuário da água ainda não atribuiu valor a este recurso natural. Como você acha que deveria ser a estratégia brasileira? Como introduzir a conservação e a eficiência na exportação deste recurso? Como poderia ficar a valoração da água embutida nos produtos no comércio exterior? São perguntas interessantes que necessitam reflexão.
Existe já uma extensa bibliografia sobre o assunto e o material acima foi obtido de fontes existentes na internet (procure no Google com o termo “virtual water”). Um dos artigos principais com esta contabilização é o seguinte:
Chapagain, A.K. and Hoekstra, A.Y. (2004) Water footprints of nations Value of Water Research Report Series, No.6, UNESCO-IHE.
Está para download em http://www.waterfootprint.org/Reports/Report16Vol1.pdf

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Crise da água: mito ou realidade ?

A crise da água tem sido destacada como uma ameaça a segurança das pessoas quanto a disponibilidade de água e devido a desastres naturais. Recentemente este tema tem sido acrescido da ameaça da mudança climática, como destacou o secretário geral das Nações Unidas para delegados de vários países.
A realidade desta crise possui vários contextos:
(1) Grande parte da população é vulnerável devido a pobreza resultado da sustentabilidade mínima econômica e social que é agravada por variações climáticas naturais ou mudanças antrópicas;
(2) a crescente vulnerabilidade por ocupação de áreas de risco de algumas regiões a desastres naturais como tsunamis, terremotos, furações, enchentes e secas. Estes números tiveram aumentos alarmantes nas últimas décadas devido ao aumento de população vulneráveis em áreas de risco;
(3) a concentração urbana em áreas de baixa capacidade de disponibilidade hídrica e a falta de tratamento de efluentes que produzem a escassez quantitativa e qualitativa da água, com colapso freqüente, aumento de doenças de veiculação hídrica e redução da qualidade de vida da população.
(4)a falta de capacidade institucional de grande parte dos países em desenvolvimento e mesmo desenvolvido (veja o caso Katrina) para lidar com complexas gestões do território urbano e rural. As perdas por desastre natural nos países mais pobres pode representar 14% do PIB.
Em regiões como a Ásia onde o crescimento populacional e econômico é ainda muito alto devido a grande proporção de população rural, nas próximas décadas muitos destes fatores serão agravantes, que somado ao aquecimento e alteração climática podem levar ao agravamento da crise para determinadas regiões. Na África a escassez da água tem sido o grande problema dos últimos anos em vários países, resultado de um cenário de menor precipitação nos últimos 30 anos. Na América Latina a tendência é a estabilização do crescimento da população devido a maior proporção de população urbana, mas os desafios serão gerir a água nas cidades e a minimização das perdas dos desastres naturais.

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Cabeceira do rio Nilo

Visitei Uganda na semana passada onde fica o Lago Vitória, nascente do rio Nilo (6400 km do mar). O Lago Vitória encontra-se próximo do Equador, em altitude pouco acima de 1000 m. É o segundo lago do mundo com cerca de 70 mil km2, representando quase toda a sua bacia. No balanço do lago um pouco mais de 80% da água é obtida da diferença entre Precipitação menos evaporação. Até a década 40 o Lago tinha uma saída natural, quando em 1947 iniciou a construção de uma barragem de energia (Owen Dam, atualmente Kiira) que mudou a saída do lago para comportas e turbinas. Esta barragem fica a jusante do local que restringia anteriormente o escoamento (que foi dinamitado) e permitiu a existência do Lago.
Em 1862 John Hanning Speke identificou a queda da nascente do Nilo (logo após a saída natural do Lago) e denominou de “Rippon Falls” nome do presidente da Socidedade Royal de Londres. (foto 2 do Obelisco do lugar e foto 1 a vista do rio). Nos próximos dias vou colocar mais algumas informações adicionais sobre esta região.
IMG 0090 1 - Rio Nilo
foto 1 - Rio Nilo
foto1 - foto1
foto 2 - Obelisco

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CURSOS

Nos dias 19 e 20 de novembro o Curso de Gestao de Aguas Pluviais foi ministrado em, Montevideo com mais e 100 alunos de diferentes municipios, Defesa Civil, entidade de Estado e consultores privados. Os profissionais que atuaram tinham diferentes profissionais com predominancia e engenheiros e arquitetos. O curso foi organizado pela DINASA, entidade que regula a agua no Uruguai com fundos de projeto do Banco Mundial. Nos proximos dias vamos colocar no blog fotos do evento que serao enviadas pela Dinasa, da mesma forma que a avaliacao do curso.
O mesmo curso foi apresentado em São Paulo no Hotel Maksoud (conforme anúncio no site) nos dia 29 e 30 de novembro com 28 alunos de diferentes cidades brasileiras (S. Paulo, Recife, Manaus, S. Caetano, Rio Claro, S. Carlos, etc). Também serão colocadas fotos e avaliação do curso.
Nos dias 12 e 13 de dezembro será realizado este curso em Porto Alegre, onde os interessados podem se inscrever no site. Estamos providenciando um telefone para contato, mas enquanto isto usem o celular 051 81127749 (tratar com Adriana).
O Objetivo destes cursos e mudar a visão de gestão das águas pluviais urbanas, ja que o cenário atual de projeto e gestão tem sido desastroso para a realidade brasileira.
Alunos e pessoas em geral envie seus comentários para este blog, para torna-lo bastante dinâmico.
Estou indo para a Uganda, Africa, na cabeceira no rio Nilo numa missão do Banco Mundial e na volta colocarei aqui algumas informações interessantes.
Abaixo foto de alguns alunos da turma de São Paulo!
29 e 30 1 - 29 e 30 1

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Exposição sobre água

No último dia de 3 de novembro foi inaugurada a exposição sobre ÁGUA em Nova York no Museu Americano de História Natural e vai até dia 26 de maio de 2008. No site http://www.amnh.org/exhibitions/water/ é possível ler o material da exposição e obter mais dados sobre o assunto. O conteúdo é voltado para todo tipo de público, sendo que cerca de 60% do público do Museu são de colégios.
O Instituto Sangari de São Paulo é parceiro na exposição na qual participei como colaborador. Este Instituto deverá trazer para o Brasil esta exposição, que será no Ibirapuera em São Paulo, provavelmente em 2008.
Os interessados em Água poderão ter uma boa idéia da visão básica da água, recomende este material para seus amigos e colegas.

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Seja bem vindo

A cada semana serão introduzidos novos artigos ou comentários sobre os temas relacionados com Recursos Hídricos e Meio Ambiente. O conteúdo do site também estará em permanente atualização, já que a quantidade de material a ser disponilizado é muito grande. Envie seus comentários.

Carlos E. M. Tucci

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